Desigualdade social e cultura negra
A partir de meados desse século, as expressões culturais afro-brasileiras começaram a ser gradualmente mais aceitas e admiradas pelas elites brasileiras como expressões artísticas genuinamente nacionais. Nem todas as manifestações culturais foram aceitas ao mesmo tempo. O samba foi uma das primeiras expressões da cultura afro-brasileira a ser admirada quando ocupou posição de destaque na música popular, no início do século XX. Em pleno século XXI, passados 119 anos da chamada abolição, negras e negros de Brasileiros continuam oprimidos. Pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e OEI (Organização dos Estados Ibero-americanos. Para a Educação, Ciência e a Cultura) demonstram que a população negra ainda enfrenta problemas de desigualdade social, como o desemprego, dificuldade no acesso à escola, renda inferior e violência. Segundo os estudos, o grau de escolaridade é menor e o rendimento médio é equivalente à metade do recebido pela parcela da população considerada branca. Nos dois estudos foi constatado que mais da metade dos desempregados são negros. Come se pode constatar nesta imagem logo abaixo. Há ainda um triste destaque para mulheres negras ocupando os piores empregos, situação que está diretamente ligada ao racismo e preconceito no processo de seleção. A baixa renda das famílias negras obriga boa parte dos jovens a abandonar precocemente a escola para o ingresso no mercado de trabalho. Segundo o “Mapa da Violência de 2006 – Os Jovens do Brasil”, divulgado pela OEI, é alto o índice de violência sofrida pelos negros. O estudo aponta que o jovem negro é o principal alvo: com 72,1% das mortes. O reconhecimento do valor histórico e cultural deste povo é certamente um caminho de redução das desigualdades. Os índices de desigualdade são claros e evidentes como na seqüência das três fotos abaixo, fica explícito a disparidade de oportunidades dadas ao negro em detrimento dos brancos termos de questões básicas no país. Texto extraído da dissertação de mestrado sobre A Boa Morte de Cachoeira. Autor :Walterlin de Santana
Escrito por walterlin às 20h02
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Candomblé e Culto Afro-brasileiro
No que se refere ao culto africano, precisa ser dito que não está ali um espetáculo exótico para os estrangeiros, mas além do potencial religioso que carrega em si, está a sabedoria em driblar as barreiras de contenção impostas por uma sociedade de pouca tolerância que trouxe essa tradição dos tempos passados da colônia. Quando não havia espaço para as manifestações religiosas dos negros. Por mais estranho que pareça, é em uma sociedade de herança patriarcal e que privilegia a cultura e a religião branca, que o culto africano desponta. Justamente o controle e cercanias da sabedorias da irmandade e do controle do evento se encontram nas mãos das mulheres e negras e o ápice da festa são as manifestações dos candomblé. Parece ser uma dicotomia, mas é a realidade. Por detrás de todas as novenas e rezas de terços, há candomblés batendo e filhas de santo fazendo obrigações religiosas para os orixás. Enquanto se celebra uma missa. Há um terreiro fazendo despachos que são rituais de purificação. E o povo parece responder muito bem a isso, porque são inúmeras as pessoas que procuram membros do candomblé nesta época para consultas espirituais. Foge-se aos olhos atentos da religião tradicional católica, que a grande homenageada de fato na festa é a ritualização do candomblé. Essa brecha deixada deu uma grande vazão à força das manifestações afro-religiosas durante a festa e por certo para o resto do ano porque observa-se e que fazem a sua primeira aproximação num evento como esse e que é crescente o número de interessados no candomblé. Quando tais eventos são observados percebe-se que a afirmação de René Boretto Ovalle se aplica profundamente nesses contexto por que ele pontua que : "o patrimônio é o conjunto de bens sociais e coletivos herdados pelo homem das gerações anteriores, ao qual outorgamos a qualidade de bem duradouro, com continuidade histórica". Assim não se pode negar que essa “ hereditariedade “ é preservada e está viva dentro dessa mistura religiosa mas que faz despontar claramente a força do candomblé. Os sujeitos que dão continuidade a essa cultura religiosa enfrentam também muitas dificuldades igualmente aos seus ancestrais que superar muitas formas de perseguições. Texto extraído da dissertação de mestrado sobre A Boa Morte de Cachoeira. Autor :Walterlin de Santana
Escrito por walterlin às 20h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
A procedência dos africanos para o Brasil
A procedência dos africanos para o Brasil A questão da procedência dos africanos para o Brasil tornou-se bastante complexa, principalmente no tocante aos povos e etnias que forneceram os maiores contingentes de escravos. A complexidade decorre da mentalidade colonialista dos portugueses que, não considerando o negro um ser humano, pouca importância davam a assinalar de maneira precisa, nos seus registros e documentos, as diversas culturas, línguas e grupos étnicos dos africanos capturados. Ao contrário, estendiam a povos radicalmente distintos um mesmo nome, ou generalizações completamente sem fundamento. Atualmente a antropologia tem revisto muito do que se escreveu sobre as origens culturais da massa escrava, no começo deste século, restando ainda muitos pontos a esclarecer. Observou-se que um número significativo das pesquisas envolvendo a questão da cultura negra no Brasil foram em alguns aspectos superficiais ou tendenciosas. A tradição historiográfica reúne, a grosso modo, os negros em dois grandes grupos étnicos: os bantos (ou bantus), da África equatorial e tropical, da região do golfo da Guiné, Congo e Angola, planaltos da África oriental e costa sul-oriental; e os sudaneses, predominantes na África ocidental, Sudão egípcio e na costa setentrional do golfo da Guiné. Não há nenhuma prova definitiva da predominância de um desses grupos na composição dos negros vindos para o Brasil, embora se afirme normalmente que a maioria era de bantos. Entretanto, as tradições culturais de alguns grupos sudaneses, como os iorubas da Nigéria, são amplamente predominantes nas heranças africanas da cultura brasileira. O médico pesquisador de temas africanos, Nina Rodrigues percebeu pela primeira vez a predominância sudanesa na Bahia, no que foi confirmado por Artur Ramos. Este destacou no grande grupo a predominância dos iorubas, também chamados nagôs (embora esse nome seja normalmente estendido a outras etnias) da Nigéria, dos gegés (ewes) do Daomé, dos minas da costa norte-guineana, além dos tapas, bornus e galinhas; identificou a presença importante dos hauçás do noroeste da Nigéria, de influência muçulmana, a qual marcou também os fulas (mais claros, de origem berbere-etiópica) e os malês (ou mandingas, de tradição guerreira, considerados altivos e perigosos pelos lusos, que lhes atribuíam feitiçarias). Entre os sudaneses originários da costa da Guiné, amplamente predominantes como vimos, a presença comum da língua pertencente ao grupo lingüístico ioruba talvez explique a predominância dos elementos dessa cultura em nosso candomblé e nas influências negras de nossa linguagem. Contudo, pesquisas como essas deixam de abordar o negro como sujeito e de apontar sua cultura como algo importante e não apenas exótico. Do ponto de vista cultural, a influência dominante da cultura ioruba explica-se também pela sua predominância já na própria África, na região do golfo da Guiné, estendendo-se segundo Édison Carneiro até o interior do Sudão. Sua civilização mais adiantada surpreendeu os primeiros europeus, pelos trabalhos em bronze que faziam no reino do Benim. "A religião, a organização política e os costumes sociais de Ioruba davam o modelo a uma vasta zona. Os negros de Ioruba eram principalmente agricultores, mas os seus tecelões, os seus ferreiros, os seus artistas em cobre, ouro e madeira já gozavam de merecida reputação de excelência. Não havia abundância de animais de caça, mas a pesca, nos rios, nos lagos e no mar, rendia muito. Criavam-se animais de subsistência - cabras, carneiros, porcos, patos, galinhas e pombos. O cavalo era conhecido havia muitos séculos, devido ao contato com os árabes; o fundador do reino de Ioruba representava-se, nos mitos, montado num corcel." Vários dos deuses africanos cultuados no Brasil são procedentes de algumas de suas brilhantes cidades, como Oyó. Os nomes de alguns de seus reinos, como Ala Kêtu e ljexá, continuam como designativos de ritos de candomblé. Capturados na África, os primeiros negros escravizados chegaram ao Brasil na primeira metade do século XVI, possivelmente em 1532. No continente americano, a chegada dos primeiros negros africanos escravizados data de 1502, em São Domingos, nas Antilhas. Texto retirado da dissertação de mestrado sobre A Boa Morte de Cachoeira. Autor :Walterlin de Santana
Escrito por walterlin às 20h00
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Mestre Bimba e Mestre Pastinha
Qual o mestre mais conhecido de todos? Qual a primeira coisa que todo calouro aprende em qualquer lugar do mundo em que se jogue a Capoeira Regional? Manuel dos Reis Machado, esse era o seu nome. Mestre Bimba foi o responsável por colocar na Capoeira movimentos de artes marciais e desenvolver um treinamento como o que conhecemos hoje em dia. Bimba começou a jogar Capoeira com 12 anos e jogou por 10 a Capoeira de Angola. Naquela época a Capoeira era proibida e considerada um crime. Em 1932, Mestre Bimba fundou, com o apoio da Secretaria da Educação do Estado da Bahia, a primeira escola de Capoeira do Brasil, em Salvador. A Capoeira Regional apareceu quando Bimba percebeu que a Angola perdia espaço para as lutas estrangeiras (karatê, judô, kung-fu, etc). Bimba procurou modernizar a Capoeira, sem perder suas tradições. Certa vez em que o mestre se encontrou com o então presidente Getúlio Vargas, ele disse: “A Capoeira é a única luta verdadeiramente nacional”. Desenvolveu novos golpes para ela se tornar mais competitiva e tirou parte da ritualidade presente nas Rodas de Angola. É crédito de Bimba hoje o berimbau ser o instrumento mais famoso nas rodas, já que antes era comum o uso da viola. Bimba sempre afirmou que o maior diferencial da Capoeira Regional era sua seqüência de ensino, onde além de passar movimentos básicos para o iniciante, também havia parceria e autoconfiança. Em 1946 foi feita a primeira apresentação pública de Capoeira. Depois da experiência ter dado certo, Bimba começou a fazer exibições com dia e hora marcada. Algo que era antes impossível para qualquer capoeirista, agora era realidade: ganhar dinheiro de forma honesta com sua arte. Mestre Bimba é responsável pela Capoeira Regional ser jogada hoje em mais de 150 países. Do outro lado da capoeira, Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha) pregava a tradição, o jogo matreiro, de malícia, estilo que passou a ser conhecido como Angola. Pastinha é conhecido como o Mestre da Cultura Africana. Ele era um pensador da Capoeira. Seu estilo teve seguidores por todo o Brasil. Para ele era importante o trabalho físico e mental para que o talento e a criatividade crescessem. Fundou a primeira escola de Capoeira de Angola, o “Centro Esportivo de Capoeira Angola”, no Pelourinho, Bahia. Durante décadas se dedicou ao ensino da Capoeira e mesmo completamente cego não deixava seus discípulos. Graças às diferenças entre esses dois grandes mestres, a Capoeira deixou de ser marginalizada e se espalhou da Bahia para o mundo. Fonte: Filed under: Capoeira — Fabiano Portela Schmidt @ 8:07 pm http://fabianops.wordpress.com/2007/08/29/mestre-bimba-e-mestre-pastinha/
Escrito por walterlin às 16h43
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|